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Cenáculo

Cenáculo, seja por meio
dos papas seja por meio dos Governos Catgunda, "Nuper carissimae",
endereçada ao mundo católico, o papa comunica a
aquisição do Cenáculo do Senhor, da Capela, na quel o
Espírito Santo desceu sobre os apóstolos e da outra Capela, na
quqal o Cristo Ressuscitado apareceu aos apóstolos, presente
Tomé. A rainha Sância de Nápolis fez construir para os
franciscanos um convento anexo ao Santuário.
Infelizmente, o direito de posse do Cenáculo com seus anexos não
foi respeitado nem pelos hebreus nem pelo muçulmanos. Houve progressiva
usurpação. Os hebreus, já que tinham perdido o
templo, sempre tinham os olhos fitos na tal chámada tumba do
reiDavi, localizada debaixo da Capela do Cenáculo Santo. Tendo montado
um estratagema diabólico com vistas de se adonarem da dita tumba,
instigaram os muçulmanos a servirem de intermediários. De fato,
em 1452, os muçulmanos apoderaram-se da Capela (tumba de Davi) e
transformaram-na em mesquita, sem dar satisfação aos hebreus que
ficaram a ver navios. Umavez donos por usurpação da tumba de
Davi, transformada já em mesquita, exigiram a
demolição da Capela do Cenáculo, porque uma mesquita
não podia ficar debaixo de uma igreja cristã.
Mas não ficou por aí.
Os frades continuaram a ser molestados,
espezinhados. Desta vez, motivos religiosos-islâmicos
entraram em jogo:
* não era lícito fazer reformas no conventoperto da tumba de
Davi;
* não era lícito aos religiosos fazer ouvir a sua voz de
"infidelidade" e o som dos sinos acima da voz dos muçulmanos. Por isso
Solimão I, sultão de Constantinopla, ordenou em 1551
taxativamente a expulsão dos frades, não obstante protestos
gerais de todas as cortas da Europa. Depois dessa perseguição de
maid de cem anos, retiraram-se os fradesexpulsos e acomodaram-se provisoria e
precariamente nas adjacências do convento, i.é, junto ao "Forno",
onde permanecram até 1559. Foi nesse ano que adquiriram o convento S.
Salvatore, onde reside o Superior da Custódia, com o
título de Guardião do Monte Sião. As
indulgências anexas ao Cenáculo foram transferidas
para o convento S. Salvatore, por indulto da S. Sé.
* Frei Bonifácio, bispo de Ragusa, tentou por duas vezes, em 1555, junto
ao governo turco reaver o Cenáculo. Em vão! Pois, "a fortaleza ou
o lugar, onde os turcos fizeram uma vez a sua oraçao, não
deve voltar aos cristãos por preço nenhum do mundo".
* Em 1831, foi firmado um acordo, permitindo aos franciscanos realizarem, na
Quinta-Feira Santa e no Domingo de Pentecostes, a Peregrinação
Oficial com as orações prescritas no Processional da
Custódia.
26 DE MERÇO DE 1936: Retorno ao Cenáculo
Dia de júbilo e de glória! Depois de quatro séculos de
forçado e penoso exílio,os franciscanos - na Terra Santa chamados
"Frades da Corda" - retornam para inaugurar festivamente o novo
Santuário e o novo convento,construídos ao lado do antigo
Cenáculo.
A história da Custódia da Terra Santa é uma
história de lutas e vitórias,martírios e triunfos,
humilhações e exaltações, lágrimas
e alegrias. naquela manhã primaveril de 26 de março de 1936, tudo
era um cântico de vitória e exultação! Presidiu a
cerimônia litúrgica da Bênção do
Santuário e do Convento S. Francisco o Patriarca Latino de
Jerusalém, Luiz Barlassina. Na sua alocução interpretou a
alegria geral de todo o mundo católico por essa fausta ocorrência
e teve palavras de elogio pelo infatigável trabalho da Custódia
da Terra Santa em prol dos Lugares Santos.
Guerra de 1948
Noite triste a de 30 de maio, quando cinco venerandos frades tiveram que
abandonar o convento e o santuário. Quem pode imaginar o
estado de alma deles? Desta vez, porém, o exílio durou apenas
quatro anos. Depois de seguidas e frustradas tentativas, somente
em 1952, os frades puderam voltar. Alegria incontida!
Desde 1948, ou seja, desde a guerra contra os árabes, o antigo
Cenáculo passou, igualmente por usurpação, ao poder dos
ocupantes hebreus. Diz o adágio: "Ladrão que rouba de
ladrão tem cem anos de perdão." Será mesmo?
Restauração do Cenáculo
As autoridades civis israelitas não se interessaram, pela
conservação o boa manutenção do Cenáculo.
Deixaram-no entregue "ao deus-dará". Mesmo durante a longa
administração municipal (28 anos) do prefeito de
Jerusalém, T. Kollek, benévolo aos
cristãos, o Cenáculo ficou em completo abandono.
Finalmente, o sacerdote italiano Luigi Maria Verzé,
administrador do hospital S. Rafael de Milão,
financiou a restauração dando vultosa importância
às autoridades civis israelitas. Infelizmente,a
restauração não foi bem feita.
Na inauguração, realizada no dia 4 de abril de 1996, Quinta-Feira
Santa, estavam presentes o ex-prefeito de Jerusalém, o sr. T. Kollek,
representantes dos Patirarcados greco e armeno, do Ministério de Culto e
o rabino Rosen. Dos franciscanos, total ausência! Não foram
convidados? Foram. Por que não compareceram? Aonde se viu convidar o
proprietário, o dono da festa, para inaugurar uma reforma
feita na sua própria casa? Não é um contrassenso, uma gafe
protocolar sem tamanho?
Durante séculos, os franciscanos vêm reclamando, em vão, a
restituição do Cenáculo, seja por meio dos
papas seja por meio dos Governos Católicos. O direito de propriedade do
Cenáculo cabe unicamente aos franciscanos em virtude da compra e
doação feitas pela Coroa de Nápolis aos Frades e em
virtude das duas Bulas do papa Clemente VI. Por isso, os
franciscanos, mesmo despois da usurpação,
não cessaram de reclamar a propriedade; e somenteles - e não
outras confissões religiosas - vêm
realizando ali publica e comunitariamente alguns atos de
culto.
"Res clamat ad dóminum!"
"Cada coisa clama por seu dono!"
Emílio Scheid, ofm
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